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Os camiões dos circos estavam prontos a sair. A estrada parecia uma pista de brincar de um menino rico, cheia de carros.
Luka e Ruka seguiam juntas com os seus circos até ao aeroporto onde depois cada uma continuaria para o seu destino.
O aeroporto estava congestionado e mesmo com o avião reservado havia tanta gente que era impossível embarcar.
Ambas as irmãs estavam preocupadas. Se não conseguissem embarcar entretanto os animais acabariam por se transformar em pleno voo e alguém poderia descobrir. Isso e a tatuagem nos restantes membros do circo.
Quase a desesperar, e prontas para irem falar com a direção do aeroporto, sentem algo quente no peito. Puxando para fora os seus fios reparam que a pedra está quente e a brilhar. Um sinal de que outro possuidor de mistério estava por perto.
Cada um dos catorze mistérios possuía uma pedra preciosa que o representava. Luka, o sexto mistério, carregava uma pedra de jade e Ruka, o décimo mistério, carregava uma pedra de jaspe.
As irmãs entreolham-se. O facto de estarem juntas tornava-as mais fortes pois por serem gémeas, as únicas de todos os mistérios, podiam conjugar os poderes aumentando a sua força. Mas ter de proteger os circos e no meio daquela multidão era difícil. Além de ser de dia, altura em que eram mais fracas.
À medida que as pedras brilham mais intensamente elas dão as mãos num ato de tréguas e prontas a atacar.
Na porta de desembarque um homem e uma rapariga observavam a multidão. Abrindo caminho por entre a montanha de pessoas conseguem alcançar as gémeas. O olhar delas era de pura surpresa e alívio.
- Primeiro? O que fazes aqui? - É Luka a primeira a falar largando a mão da irmã.
- Que bom ver-vos novamente Luka e Ruka. Vim pedir-vos um favor.
- Favor? - Ruka cumprimenta com um aceno.
- Esta rapariga, - A jovem que o acompanhava sai detrás dele. - é o décimo quarto mistério. Acabou de despertar e preciso que a instruam.
- Porquê nós? E porquê juntas? - Luka não parecia convencida.
- Vejam isto como o expandir dos vossos negócios. Boa sorte!
O homem desaparece. Komui, o primeiro mistério. Um homem confuso de entender. A franja do cabelo caía-lhe sobre o olho esquerdo onde tinha a sua pedra incrustada, um diamante.
Quase nada se sabia dele. Era um mistério nos dois sentidos.
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| Komui |
Os 14 mistérios da noite - Noite 4
A chuva continuava a cair sem dar tréguas e não havia previsão de melhoria. Sendo assim, a organização do concurso decretara um empate para este ano, dando o título de "melhor circo" tanto ao circo de Luka como ao de Ruka.
O descontentamento dos outros circos fora notável mas nenhum se atreveu a criticar a decisão.
Ruka guardava a estátua do prémio na sua caravana enquanto dava uma limpeza nos restantes troféus e medalhas.
Olhando agora para trás não se recordava de quantos anos passara desde que formara o circo. No inicio trabalhava com a sua irmã gémea, Luka, gerindo um pequeno espectáculo de rua, mas assim que despertaram os seus poderes optaram por não ficar muito tempo no mesmo sitio e criaram um circo. Algumas desavenças levaram ao estado atual, cada uma com o seu negócio e cada uma na sua demanda.
O som de batidas na porta desperta-a do seu estado de nostalgia. Fechando o armário dos troféus dirige-se à porta.
- Sabia que estavas aqui. - Cumprimenta um homem alegremente.
- Oh, és tu Mark. Entra.
- Estás assim tão desapontada por me ver? Feris-te o meu orgulho.
Ruka sorri levemente e oferece-lhe um chá.
- O que fazes aqui?
- Estive a preparar o meu novo número mas não consegui. Sai mais mágico, no bom sentido da palavra, do que "ilusionistico".
Mark era o mágico, ilusionista, da trupe de Ruka. Apesar da sua beleza exterior e porte atlético a sua idade era enganadora. Talvez fosse uma das muitas influências dos poderes dos mistérios.
- Compreendo. Peço perdão. - Desculpa-se Ruka soprando para a chávena.
- Não precisas pedir perdão. Escolhemos estar aqui de livre vontade.
- Mark, não quero ser grosseira nem rude, mas já te disse que não desejo que me confortes.
- Tu sabes que eu...
- É por saber que te digo. O que me pedes não terá futuro. Nem eu sei o que o destino me reserva. - A mulher lança um longo suspiro tristonho.
Mark sorri em sinal de compaixão e leva a mão à face de Luka, mão essa que é afastada delicadamente com um olhar de pedido de compreensão.
O ilusionista levanta-se e encaminha-se até à porta. Antes de sair tira uma rosa da manga do casaco e pousa-a numa mesinha à entrada. Podia ser um truque cliché. mas era carregado de sentimentos.
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| Mark |
Os 14 mistérios da noite - Noite 3
A lua lá fora era quase impercetível. Devido às más condições climatéricas o final do concurso fora adiado até que o tempo cede-se e permiti-se realizar o espetáculo.
Tocava as doze badaladas, que eram abafadas pelo som da chuva a cair lá fora, e os circos aproveitavam para descansar e também aperfeiçoar os seus números.
No circo de Luka o silêncio havia sido substituído por risos e conversas animadas. Um grupo de trapezistas e ilusionistas encontrava-se nos bastidores a jogar poker. Como as tatuagens já eram visíveis eles preferiam não sair das suas relotes ou não ir para fora da tenda.
Uma jovem alta e esguia, usando um simples vestido branco, passeava-se pelo circo esgueirando-se dos obstáculos como se fosse feita de plasticina. Os seus olhos brilhavam no escuro como um predador à espera da sua presa..
- Ei Nikki, queres juntar-te a nós? - Pergunta o grupo do poker avistando a rapariga.
Ela acena negativamente e sorri como agradecimento pelo convite voltando a afastar-se.
O seu caminho continua.
Luka estava encostada numa trave, que sustentava a tenda, a observar a noite enquanto o fumo do seu cachimbo espiralava em direção ao céu.
- Boa noite Nikki. - Cumprimenta a mestra.
A rapariga sorri. Uma pontada de tristeza notava-se mesmo por detrás do deslumbrante sorriso.
- Estás à procura dele não é?
As faces de Nikki ruborizam.
- Sei o que sentes. Mas sabes que ele não toma apenas conta de ti.
A tristeza finalmente transparece na face clara dela.
- Mesmo com a minha influência não posso prometer que o vosso amor vá dar certo. - O fumo serpenteia e forma um coração partido. - Mas posso dizer-te onde ele está agora.
Um brilho renasce nos olhos predadores da rapariga.
Com um sorriso da parte de Luka um homem jovem aparece vindo do exterior. Nikki corre e abraça-o.
- O que se passa minha pequena? - Pergunta o homem afagando o cabelo dela.
Ela sorri e beija-o na face. Luka encara o sol a nascer no horizonte.
O fumo começa a brilhar e as tatuagens desaparecem.
Nikki é envolvida por aquele brilho e desaparece. No pescoço do homem encontrava-se embrulhada a piton.
- Pronto minha Nikki, está na hora de descansar.
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| Tatuagem que aparece em quem é influenciado pelos poderes dos Mistérios |
Os 14 mistérios da noite - Noite 2
Já passava das onze da noite quando os últimos espectadores do concurso se retiraram do espaço reservado aos circos. Enquanto isso uma equipa destinada à limpeza havia começado a limpar o recinto.
Os circos preparavam-se para dormir e descansar, visto que o dia que se seguia seria muito importante. No mínimo ia ser o confronto do século. Os vencedores, ambos os circos mistério, iriam dar o melhor de si para apurar o mais talentoso. Uma prova renhida.
O recinto estava no geral silencioso. As doze badaladas que davam a meia-noite fizeram-se ouvir. Tudo parecia normal mas algures numa ponta do recinto uns estranhos brilhos da cor da lua pairavam no ar saindo das tendas dos circos mistério.
Um rangido ouve-se. As gaiolas dos animais estavam abertas!
Ao todo dois tigres, um branco e um de bengala, dois leões, uma pantera e uma piton andavam por aí à solta.
Dentro de ambas as tendas estava uma mulher a fumar um cachimbo japonês. Era do fumo que os cachimbos expeliam que saiam os brilhos. As duas mulheres eram praticamente iguais, a única coisa que as distinguia era a cor do cabelo. Ambas envergavam vestidos ricamente decorados e encontravam-se sentadas em cadeirões também eles muito elegantes.
O fumo serpenteava, levado pelo vento, pela tenda espalhando-se até aos membros do circo e deixando para trás um cheiro aromático e doce.
Tudo parecia brilhar, como se a lua estivesse a irradiar a sua magnifica luz para cada uma daquelas pessoas.
Um segundo passa e tudo parece na mesma.
Os animais foragidos aparecem perante as suas mestras. O fumo envolve-os e uma luz ofuscante irradia nas tendas. No lugar dos animais estavam agora pessoas.
E não eram só estas diferenças. Cada membro dos circos tinha agora a mesma imagem tatuada na testa.
As mulheres levantam-se das respetivas cadeiras e dirigem-se até à entrada das tendas, que se encontravam frente-a-frente, seguidas dos seus supostos animais.
- Boa noite mana. - Diz a do cabelo preto que era seguida pelos dois "tigres" e pela "piton".
- Como sempre a imitar-me Luka. - Responde a de cabelo branco seguido pelos dois "leões" e pela "pantera".
- Quem deveria dizer isso era eu Ruka.
Luka e Ruka, gémeas e os Sexto e Décimo mistérios. Duas guardiãs dos mistérios da noite.
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| Luka e Ruka |
Os 14 mistérios da noite - Noite 1
Londres, Inglaterra
O dia já ia avançado e as preparações para o décimo concurso do melhor circo faziam a capital londrina mais agitada que o habitual.
O número de turistas havia aumentado substancialmente nas últimas horas e já se confirmava a presença de Sua Majestade no público.
Este acontecimento reunia os melhores circos de todo o mundo dando a conhecer ao público as melhores acrobacias e feitos mais espetaculares. Ao todo eram apresentados cem circos, por vezes dois ou mais da mesma origem, que traziam alegria e beleza para as ruas.
O concurso era realizado por confrontos a pares em que cada circo mostrava os seus melhores números de cada modalidade e o júri selecionava o que seguia adiante até sobrarem apenas dois, o chamado "confronto final".
Para delírio do público este ano haviam algumas surpresas. Dois novos circos que nunca tinham participado estavam já entre os finalistas.
As reações variavam da desconfiança e inveja para a surpresa e admiração. A qualidade do trabalho destes circos era espantosa. Apesar de todos serem profissionais aqueles estavam num nível totalmente diferente.
A noite chegava a um ritmo acelerado. Estava tudo preparado para a semi-final onde se iria escolher os dois melhores circos para se confrontarem no dia que se seguia.
Os nervos aumentavam com o passar das horas. O público estava encantado. Ambos os circos mistério faziam as delicias dos espectadores. Com certeza os vencedores já estavam decididos.
Depois das apresentações realizadas o júri reúne-se para decidir. Aumentavam os minutos de espera e com eles a pressão.
É dado o sinal. O apresentador do concurso ocupa o seu lugar no centro da arena com um envelope dourado nas mãos. Faz-se ouvir o rufo dos tambores.
E os vencedores são...
Os 14 mistérios da noite - Prólogo
Yo, daqui C.C.
É verdade eu sou um ser omnipresente que está em todo o lado. Neste blog terei o papel de editora e irei postar também uma história que comecei agora a escrever. O prólogo estará pronto segunda-feira, até lá fiquem-se com a sinopse. Bye!
Indicação: Sem classificação
Sinopse: Dois mundos, dois circos. Por um lado rivais por outro irmãos. A magia une-os e o mundo real separa-os. A noite esconde segredos de que devemos manter ignorância. Terás coragem para os descobrir?










