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Continuação da fic da Juliana =D Peço desculpa por não ter postado no dia em que recebi. Nota da autora: Desculpem-me, por favor. Poderia inventar um milhão de desculpas, mas a verdade é somente que andei sem tempo e criatividade (péssima combinação, não?) Espero que não abandonem a fic, embora pareça que a própria autora tenha desaparecido. Sinto muito, do fundo do meu coração, não sou pontual e muito menos consigo escrever por muito tempo, por isso posso acabar decepcionando-os, não é? Bem, acho que só postarei com frequência nas férias... desculpem-me de novo... Ah, sim, estou "caçando" mais músicas para colocá-las na fanfic.


3º Capítulo:
A Nova Escola

 Realmente, não entendo aquilo que os pais dizem: “você ainda vai sentir muitas saudades disso tudo, ah, que saudades da minha época de escola”, hum, é mesmo? Então por que não volta? Falar é muito fácil.
 A verdade é que a escola é uma porcaria. Você é julgado e intitulado de diversas coisas e maneiras logo após que entra, é uma disputa social mesquinha e idiota onde, infelizmente, ninguém está a salvo. E como se ser adolescente não bastasse você é obrigado a passar quatro horas com outros adolescente e, muitos deles, que não tem um temperamento ou atitudes muito bons.
 Logo meu único objetivo era tirar nota suficiente para sair o quanto antes daquela instituição maldita, onde tudo que prova é que estamos desperdiçando nossas vidas para tentar conseguir coisas desnecessárias.
 Embora eu pense tudo isso sobre as escolas sempre sou vista a admitir a importância da educação, entretanto, o que me irrita são as pessoas, e não o lugar e as atividades em si.
 Suspirei.
 Desci as escadas calmamente após o meu longo banho. Coloquei calça jeans e camiseta – sei lá se tinha uniforme ou não.
- Oh, meu Deus, você vai assim? – indagou minha mãe, tentando disfarçar seu tom frustrado e pasmo, lado da mesa, já montada com um delicioso café da manhã.
- Sim...?
 Ela logo parou e voltou a sorrir.
- Ah, ok.
 Minha mãe sempre evitou qualquer tipo de discussão comigo, então, sempre cedeu de primeira. Isso é tedioso.
 Sentei-me e coloquei duas (mentira, na verdade um monte de) colheres de Toddy (N/A: Não, eu não preciso fazer merchandagem aqui!) achocolatado em um copo cheio de leite e passei misturar, enquanto colocava duas rosquinhas no prato.
 Comi em silêncio, enquanto tentava imaginar que tipo de pessoas ia encontrar lá.
 Dizem, não sei se é verdade, que as pessoas de escolas municipais são mais “malucas” do que as de particulares. Se bem que eu também não sei definir como eram as de particulares. Em minha opinião, serão todos as mesmas coisas. Chatos.
 Terminei. Passei a observar minha mãe, sentada, agora, a cadeira a minha frente, com um enorme sorriso. Acho que ela estava mais ansiosa que eu, sim ou certeza?
- Bem, vamos! Ah! Você está voltando para a escola! Eu lembro da primeira vez em que eu entrei no colégio, pela porta da frente, já te contei que foi lá que conheci sue pai? Meu Deus! Quantas lembranças...
 Enquanto ela falava isso, me passava a mochila e me acompanhava até o carro. E eu si pensava: “e daí? Quem liga, por favor, só pare de falar... isso não pode durar para semp-“.
- Não se preocupe! Te conto o resto no caminho – completou enquanto apertava o botão para abrir o portão e dava ré no quarto.
 Ai, Meu, Deus. Sério mesmo?
 Coloquei os fones e passei a imaginar qualquer besteira janela a fora, isso não a impediu de continuar falando e, se não me engano foi uma das últimas coisas que ouvi antes de imaginar que o carro era perseguido por trolls, “dicas” de como me virar num colégio municipal.
 Quando chegamos, ela me deixou na porta e eu desci do carro. A escola era mesmo muito GRANDE! Não parecia assim no planfleto, é lógico que não iria ser “qualquer” colégio – nunca é qualquer coisa com minha mãe – era o mais antigo e com história da cidade, mas, mesmo assim, esse lugar é gigante.
 As escadas de pedra levavam a um enorme portão de ferro e, pouco depois, uma construção de tijolos vermelhos. Notei que era cercado por flores, árvores, gramado e etc com alguns caminhos de cimento.
 Passei a observar ao redor. Mais pessoas chegavam, brincavam e conversavam em grupos.
 Fiquei nervosa.
- Está tudo em sua mochila, qualquer duvida pergunte na secretaria, tenho uma reunião importante agora se acontecer qualquer coisa,qualquer coisa mesmo, me ligue.
 E lá se foi minha mãe, fiquei a observar seu Ford Fiesta 2014 a virar a esquina, senti-me jogada ao relento e a própria sorte. Ok, drama, eu sei, mas fazia tanto tempo que ia a escola que, sinceramente, me senti mal, de certo modo, era como se estivesse sendo obrigada – até porque estava- a fazer algo que não queria e fingir ser alguém que não sou eu.
 Acho que no final isso é o resumo da vida de um colegial.
 Poderia escrever um livro: Eu, e minha neuras. Com mais de 100 motivos pelos quais eu não queria voltar para a escola, na verdade, essa é uma boa ideia, quem sabe eu não escreva um livro mesmo e vire uma grande e renomada escri-
- Tábata Guizzo?
 Oh, de novo? Ao me virar, dei de cara com uma mulher de vestido verde musgo, saltos altos scarpin pretos, talvez por ela ser baixa, e cabelos castanhos presos num coque alto. Sua feição demonstrava preocupação e, estranhamente, bondade. Sorria, seus lábios estavam um pouco rosas (batom?) e seus olhos verdes claros estavam escondidos por detrás de um óculos grosso e preto.
- Sou Amélia, a secretária da diretora, sinto muito, ela está muito ocupada para recebê-la como é de costume... espero que possa acolhe-la da maneira apropriada.
 Percebi que continuava com meu olhar de completo tédio e tentei mudar a expressão para algo mais alegre, entretanto, eu notei que eu não estava alegre, e, no meio dessa “notação” toda, pude chegar a conclusão de que continuaria com aquela expressão.
- Bem vinda a nossa escola! Venha, me acompanhe! – disse de maneira doce, e tornou a tagarelar enquanto entravamos pelo portão andávamos lado a lado, atravessando o grande hall de entrada/recepção -  as aulas já vão começar, sinto lhe dizer que não poderei acompanhá-la para mostrar o campus, mas arranjarei alguém o possa fazê-lo!
 Ela falava, e falava, e falava mais um pouco, e tudo que eu ouvia era: blá, blá, blá, ah! E também um pouco de blá.
 Andávamos por um longo corredor, o assoalho de madeira e cortinar brancas nas longas janelas de um lado e do outro muitas portas de madeira, detalhadas em dourado. Respirei fundo e meus pulmões foram inundados pelo odor de coisa velha.
 Quando comecei a pensar em me sentar e tirar um cochilo, ela virou para me observar – forcei um sorriso – e logo abriu um largo sorriso.
- Esta é sua sala – pouso a mão em uma maçaneta de madeira -Tenho certeza de que vai se adaptar logo.
 Eu ia começar a dizer: NÃO FAÇA ISSO, POR FAVOR, NÃO ABRA ESSA PORTA! Mas ela foi mais rápida, e, quando notei, todos lá dentro começaram a me encarar. Contei, mentalmente, que havia mais sou menos vinte alunos. O professor, um velho de terno de giz marrom claro e chapéu de coco na mão, passou a me observar assim como o restante da sala. Ele tinha o cabelo cor de palha com muitos fios brancos e olhos negros, sua expressão estava séria e pude sentir um pouco de desgosto pela intromissão em sua aula em seu tom de voz ao dizer:
- O que a traz aqui?
 Fiquei em silêncio e com uma pequena pitada de pânico.
- Oh, sim, está é a nova aluna.
 Poderia desmaiar ali mesmo, ou sair correndo para um lugar qualquer o mais longe possível.
- Bem, entre logo então.
 Mas tudo que fiz foi respirar fundo. E ir me sentar a carteira ao lado da janela, na última fileira dos fundos. Seguida pelos malditos olhares que já começaram a me analisar.
 Encarei uma loirinha da penúltima carteira, em frente a minha, ela desviou o olhar e passou a observar a janela.
 Perguntava-me por quanto tempo conseguiria manter a sanidade naquele lugar.

Sweet Dreams Cap. 3

Posted by : •°o.O Misa O.o°•
terça-feira, setembro 03, 2013
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Acho que vou dizer sempre que a fic é da Juliana e não minha ^^". Diminui a fonte para poderem ver os links no final ^^. Nota da autora: Então, povo, que bom que gostaram do primeiro capítulo. A partir do terceiro Tábata já estará na escola - aí sim o trem começa a andar. Ainda estou pensando em nomes, no momento, preciso de dois masculinos e dois femininos legais... Estou sem ideias... Ah, a música agora tem um pouco a ver com a história, desculpem pela última, é que estava viciada nela. Enfim, espero que gostem desse capítulo também, como devem saber, os primeiros capítulos são para dar o inicio da história e, a mesma, ainda está em desenvolvimento. E, sim, devo admitir, Elliot é meu personagem favorito. Aos interessados, esse é o modelo do sobretudo em que me inspirei nesse capítulo, e que ira aparecer em algum momento nele: http://www.ideiajovem.com/wp-content/uploads/2012/04/sobretudo-de-couro-feminino.jpg e http://user.img.todaoferta.uol.com.br/7/5/F1/ZLBHUF/1231176216680_bigPhoto_0.jpg


2º Capítulo:
The Broken Dream

 Estiquei o braço e passei a observar o palmo de minha mão atentamente.
 Estava deitada em minha cama e Elliot assistia a um anime qualquer em meu notebook ligado ao meu lado. Parecia interessadíssimo, afinal sempre soltava exclamações e tapava o rosto com ambas as mãos – em prováveis cenas desagradáveis ou tristes demais para que o mesmo as assistisse.
 As cortinas balançaram levemente com o ar “puro” da cidade que adentrava o cômodo.
 Observei meu quarto cuja única parede que não era preta era aquela que estava atrás de minha cama, e ainda tinha um adesivo de uma árvore preta de galhos secos (alguns pássaros voavam ao alto). Somente tinha meu guarda-roupa com um espelho em uma das portas negras, uma TV de frente para a cama, uma mesa branca para fazer as lições de casa ao lado da penteadeira do mesmo tamanho.
 Meu quarto era no segundo andar do sobrado. Meus irmãos estão sempre ocupados e mal os vejo, assim como meus pais. A exceção de minha mãe, mas ela me trata como uma deficiente, de uma maneira gentil, porém, ainda assim, sinto-me como uma paciente perto dela.
 Odeio isso.
 Hoje era o dia em que minha mãe me levaria para comprar meu material escolar... não estava muito animada quanto a isso, porque significava que iria para um lugar onde passaria quatro horas vendo coisas que não me interessava, pessoas que estariam criam pré-concepções sobre mim a partir do momento em que eu colocasse o pé lá dentro. Assim como dariam apelidos e iriam se referir a mim. Seria julgada cem por cento do tempo.
 Suspirei colocando a mão sob o rosto.
- Ta, o que aconteceu?
 Elliot desviou o olhar da tela do computador pela primeira vez.
- Nada... é só que estou nervosa...
- Nervosa? Nervosa de raiva ou nervosa de ansiosa?
 Parecia uma criança curiosa e confusa. Virei para o lado esquerdo, ficando de costas para ele.
- Ansiosa, Elliot, ansiosa.
- Ora, escola é algo super divertido, pelo o que eu soube.
- Claro, para uma pessoa como eu deve ser a coisa mais divertida do mundo, nossa – ironizei.
 Agora ela fazia uma cara emburrada.
- Não precisa falar assim comigo, idiota.
 Argh. Como que eu fui criar ele com uma personalidade dessa?
 Comecei a ouvir alguns passos lá em baixo.
- Acho que devo ir...
 Estiquei os braços, despreguiçando e ouvindo alguns estalos. Usava um shorts jeans preto, camiseta azul de caveira e meu “sapatenis” da Coca-cola azul listrado.
 O garoto me lançou um pequeno sorriso de canto de boca.
- Sua animação me comove.
- Cala a boca – disse enquanto saia do quarto.
 Desci as escadas calmamente. Elliot parecia não entender a minha dificuldade de falar com estranhos, o que se parar pra pensar é bem estanho já que ele está, tecnicamente, em minha cabeça.
 Parei a frente da sala. As paredes eram brancas, assim como os sofás que estavam de frente para a TV de tela plana, mas todas as almofadas eram caramelo o que realçava a mesa de centro de maneira de um tom um pouco mais escuro, assim como duas poltronas de frente a uma lareira de canto abaixo da televisão. Uma estante cobria uma das paredes, repleta de livros, enquanto uma outra tinha enormes janelas de vidro temperado, que iam do chão ao teto, com cortinas brancas as cobrindo.
 Minha mãe estava sentada com as pernas cruzadas, lendo atentamente a uma folha – parecia um documento – em uma das poltronas.
 Kate não é uma mãe ruim, não, ela é preocupada comigo e tudo o mais, sempre me incentivou a falar com os outros, mas, ainda assim, sou só uma filha doente para ela. Não que eu realmente ligue, mal nos falamos durante o dia.
 Hoje, elas usava uma saia um pouco acima dos joelhos, justa e numa cor que me lembrava uma palha escurecida, com um blazer de mesma cor, com saltos scarpin de salto alto de cor marrom café. Seus cabelos, castanhos como os meus, presos em um firme coque e mal se podia notar seus olhos verde por de trás dos seus óculos de leitura.
 Sempre usando roupas nesse estilo, só porque sempre estava em seu escritório ou resolvendo coisas em relação a ele.
 Respirei fundo e ela me notou, o que a vez se desviar de sua leitura e remover seus óculos.
- Querida, há quanto tempo está aí?
- Pouco.
- Ah, sim! Antes que me esqueça, devemos comprar suas coisas, não?
- Sim.
- Você... – ela parou por um instante, e eu sabia o que isso significava.
- Não, eu estou bem. Nenhum sonho letal...
 Argh, esse silêncio super constrangedor que me faz desejar pular pela janela.
- Bem...- ela olhou para mim mais atentamente, tenho certeza que repudiava minha roupa em seu pensamento, minha mãe já deixou bem claro o que acha do meu estilo – vamos indo, então.
 Ela se levantou, guardou o papel em sua maleta preta e passou a andar em direção a porta. Fiquei parada por um tempo, olhava pela janela. Oh, uma criatura saia da flor ou era impressão minha? Talvez, que? Ela estava olhando para mim? Tsc, bichinho estran-
-Tábata – chamou novamente minha mãe, ainda com a porta aberta – vamos.
 Balancei levemente a cabeça para os lados e dei um olhar de relance enquanto tornava a andar. A criatura não estava mais lá. Ela não existia. Eu sou uma maluca mesmo.


 Não, eu não estava gostando nem um pouco disso.
 Sentia-me desconfortável dentro de uma loja cheia de pessoas, ou com pessoas além das que trabalhavam lá. Minha mãe me levou a uma papelaria, há séculos não ia em uma – sempre evitava, e mesmo que fosse uma “de nível”, como a mesma definia, ainda tinha algumas pessoas ali.
 Já tínhamos comprado minha mochila, o estojo e alguns materiais, só faltava o caderno.
 Peguei qualquer um – sabe? Passando pela prateleira e pegando sem ver. Até que vi uma garotinha, entre muitos livros, usando um vestido amarelo simples, em um dos corredores.
 A fiquei observando por um tempo e a mesma levantou os olhos até mim.
- Que foi? – indagou em tom desinteressado.
-...
- Você não fala?
 “Educação mandou lembranças”.
- Você é... real?
 Achei que ela iria retrucar com outra resposta malcriada. Mas a mesma começou a rir.
- Eu to aqui, não to? Pois então.
 Abaixei-me a sua altura, observei a capa do livro que a mesma lia – não aparentava ter mais de dez anos.
Harry Potter?
- Sim. Gosto desse livro.
 Sentei ao seu lado. Depois que cresci, na verdade, conversar com crianças se tornou mais fácil do que com adultos com suas ideias e ideais já formados. É difícil conversar com alguém já cego de uma certeza ou realidade errada.
- Por quê?
- Porque é legal, sabe? Um mundo mágico, com coisas que parecem imaginadas.
 Ri de leve e engoli uma resposta sarcástica. De coisas imaginárias eu entendo muito bem.
- Mas é meio triste.
 Essa declaração interrompeu meus pensamentos desconexos.
- Por que acha isso?
- Triste, porque uma hora ela volta pra casa dos tios, e tudo isso acaba, vai embora, como se não tivesse acontecido. Os tios dele não entendem o mundo do Harry, então é triste pra ele ter de viver convivendo com isso.
 Caraca, o que deram pra essa garota comer? O que andam fazendo com as crianças hoje em dia? Sua declaração foi tão firme e convincente, que me senti burra perto de uma garotinha.
 Parei para refletir sobre o que ela havia falado. Cheguei a uma conclusão: eu me sentia como o Harry, no meu mundo, incompreendido em pura fantasia. E essa fantasia me deixava doente.
- Sua mãe está te chamando – disse baixo.
- Essa fala era minha – me levantei e pude ouvir outro estralo, minhas pernas doíam.
- Não esqueça o caderno – alertou-me sem olhar para mim, já absorta novamente me sua leitura.
 Sério. O que há de errado com essa geração? Futuros intelectuais, talvez?
 Novamente estava em dúvida. Aquela garota estava realmente ali ou eu imaginei coisas de novo? Era possível uma garotinha ter falado tudo aquilo e ser real?
 Comecei a ficar com dor de cabeça e desisti sobre isso. Suspirei enquanto olhava para o meu caderno de capa lisa e totalmente preta. Ah, é, eu me lembrei, amanhã era o meu primeiro dia em uma escola municipal. Tentaria não falar sozinha, não dizer coisas estranhas para os outros, prestar atenção nas aulas (se bem que nas minhas particulares já estava bem avançada), mas já estávamos no mês de maio, a turma já deve estar entrosada e eu iria pegar o barco andando, não que eu realmente me importasse já que não esperava fazer amigos... E, principalmente, eu tentaria evitar imaginar coisas desnecessárias.
 Respirei fundo enquanto entregava o caderno na mão da garota, de cabelos curtos e vermelhos, mascando chiclete, que estava no caixa.
 Antes de ir embora, dei um olhar de relance para onde a garotinha estava e a mesma já não se encontrava por lá, entretanto, os livros permaneciam no chão. Essa era uma prova de sua real existência? Af, ficar pensando muito nisso me estressa. Estressa muito.
 Logo que cheguei a minha casa, retornei ao meu quarto. Lógico, já é automático. Passo noventa e nove por cento do tempo no meu quarto. Sempre...
 Elliot esperava sentado na cama, que deixava seus pés suspensos o bastante para que o mesmo os balançasse. Ele abriu um sorriso de orelha a orelha, era o único que ficava feliz com a minha presença.
- Você tem que dormir cedo hoje! Se não vai ficar com uma cara pior do que já tem amanhã – zombou ainda rindo, como uma criancinha que acabou de ganhar um brinquedo novo.
 Ele era o único que sorria pra mim sem ser por pena.
 Ah, sim, amanhã eu teria meu primeiro dia de aula em seis anos. Pensar nisso me faz querer bocejar.
 Despreguicei-me enquanto me jogava na cama, já estava tarde, passei o dia comprando essas besteiras pra ir para um lugar que não queria. Passei a observar o teto – faço muito isso – e tentar focar em parecer normal amanhã, mas acho que isso vai ser muito difícil... Sério.
 Antes que notasse, acabei por pegar no sono.


 Estava na mesma floresta de ontem. Sim, eu sei que isso é um sonho. Eu tenho sonhos lúcidos por isso controlo tudo por aqui. Este é o meu mundo e onde me sinto segura de verdade, menos quando as coisas saem do meu controle, mas isso é muito difícil já que sou uma pessoa equilibrada.
 Controlar meus sonhos eram um passatempo, algo divertido e uma saída pra fugir dos pesadelos, até que a minha imaginação começou a se mesclar com o mundo real e passei a viver um inferno vinte e quatro horas por dia.
 Entretanto, os sonhos continuavam agradáveis como sempre.
 Olhei para minha roupa, uma calça escura e justa, botas de cano alto e salto fino, camiseta preta de gola alta e um sobretudo preto, de couro, com detalhes dourados e uma cinta amarrada até onde poderia respirar. Parecia ter saído de um filme de caça vampiros.
 Passei a caminhar calmamente, as folhas das árvores estavam marrons e muitas já se encontravam no chão enquanto que outras poucas ameaçavam cair dos galhos. Parecia que uma tempestade estava por vir.
 Pude ouvir o riso de uma criança. Uma garota? Sim! Era uma garota, de vestido longo e amarelo desbotado. Ela corria, sumia no meio da floresta. Passei a segui-la sorrateiramente.
 O que diabos essa garota fazia aqui? Será que a imaginei por engano? Talvez eu tivesse pensando tanto no que aquela garotinha tinha falado na papelaria que a imaginei aqui – já aconteceu antes.
 Perdi seu rastro. Tornei a olhar em volta e pude ver algo estranho, brilhante e branco um pouco mais longe.
 Caminhei até lá, eram as ruínas de um castelo de mármore (não restava muito além de alguns pilares, o chão elevado, uma escada a uma torre qualquer e rastros que revelaram que outrora ele fora grandioso), já totalmente empoeirado e deserto e meu salto fazia um eco seco soar por quilômetros. Algo estava errado e estranho.
- É porque você está nervosa com a escola.
- Elliot... – suspirei enquanto voltava-me para o garoto que, subitamente, apareceu atrás de mim.
- Hoje não é um dia bom para você ficar. Está em desordem, então seus sonhos também estão.
- Não é pra tanto – debochei com um sorriso de canto de boca.
 Só agora notei. Ele estava sério, tanto em seu olhar quanto na expressão.
 Olhei ao redor. Ainda me era estranho esse “ex-castelo” estar no meio de uma floresta, sendo que não me recordo de ter imaginado ambos.
- Estou falando sério.
 Suspirei.
- Relatório?
- Kit está em seu castelo principal e aguarda sua presença.
 Bem, já era de se esperar sua preocupação, afinal, Kit era minha mãe nesse mundo.
- Depois. Preciso descobrir o que está acontecendo por aqui. Elliot, você está escondendo algo de mim? O que não quer me contar?
 Ele olhou para os lados, parecia aflito, porém, tornou a sorrir meio sem jeito, como se estivesse aliviado.
- Parece que você já vai acordar.
-O qu...?-


- Tábata! Acorde! Por favor, você dormiu com a mesma roupa de ontem de novo? Espero que não, hein! Levante-se, depressa menina, ou vai se atrasar para o seu primeiro dia.
 Essa era minha mãe. Socando, não, esmurrando a porta do meu quarto para que eu acordasse.
 Com a mão direita, esfreguei os olhos e olhei para o despertador. Argh, esqueci como era irritante acordar as seis da manhã.
 Levantei e passei a observar ao redor. Nem sinal de Elliot, não sei o porquê, mas não funciona do jeito que eu quero na realidade. Que porcaria, no meu sonho eu podia controlar tudo - bem, geralmente eu consigo.
 O que diabos aquele menino escondia de mim? Como ele pode saber mais sobre o meu mundo do que eu?
 Tsc. Ficar pensando sobre isso não adianta.
 Com essa decisão, fui até o banheiro tomar um banho, ou minha mãe ia me mandar pro submundo se demorasse mais.

Sweet Dreams Cap. 2

Posted by : •°o.O Misa O.o°•
terça-feira, julho 30, 2013
4 Comments
Relembrando que a fic não é minha mas da Juliana :) Boa leitura.


Prólogo:
 Já estava em delírio, pobre menina, mas por que teria Deus lhe destinado isso? Seria castigo, revolta, desgosto? Era isso que se perguntavam ao vê-la em sua atual situação, não que ela se importasse realmente, já que seu mundo era perfeito, em todos os sentidos.
 Colocava seus fones de ouvidos e nem era preciso fechar os olhos, somente olhava além da janela e se imaginava em uma luta contra um dragão, ou a procura de uma fada na floresta, quem sabe até uma antiga memória quando corria para a casa de sua avó, sentava junto a mesa e comia algum doce gostoso.
 E quando notava, alguém já a estava balançando, sentada na frente do consultório do doutor, como chegara ali? Ainda se perguntava isso.
 Mas o que mais a interessava era saber como ia terminar sua história imaginária.
 Mesmo durante uma conversa, caso não prendesse sua atenção por tempo suficiente (não que alguém já o tivesse conseguido) lá estava ela, flutuando em pensamentos completamente desconexos e criando novas histórias que somente seus olhos cegos podiam ver.

1º Capítulo:
O Garoto do Trem

 Estava de tarde e estava quente, mais uma vez no psicólogo que me olhava atentamente com aqueles grandes óculos fundo de garrafa, e escrevia sem parar, porém eu nem estava falando nada.
 Coloquei uma das mechas do meu cabelo castanho para trás da orelha, tornei a olhar para o teto.
 A sala era abafada, ou talvez fosse minha impressão?
 É que era tanta madeira, couro e marrom que só o fato de eu estar ali, já sentia muito calor – mesmo que as paredes do cômodo fosse brancas.
 Finalmente, Doutor Edgar rompeu o silêncio, que já durava alguns minutos, e indagou calmamente, mas de maneira tão tranquila, que quase peguei no sono:
- Me diga... Tábata... Como foi o seu último sonho, aquele que me disse ser responsável pela sua falta de atenção durante o almoço no restaurante com sua mãe.
 Suspirei no divã – aquilo era realmente muito confortável.
- Bem – comecei – não me lembro muito bem. Só que parece que dessa vez eu era uma vampira e subia as escadas de um castelo de pedra...
 Ele deu uma risada de leve, gostosa de se ouvir. Doutor Edgar era um senhor alto e magro, de voz serena, olhos e cabelos castanhos como Nutella, usa óculos com uma lente grande e grossa, além de uma calça marrom, com sapatos pretos, camiseta branca de manga longa e por cima um casaco de lã ou caxemira (hoje seu casaco verde estava sob a escrivaninha).
 Dr. Edgar parece sempre ter algo inteligente a se dizer, e lê muito, na mesinha ao lado do divã marrom de couro – que estava deitada agora – sempre está cheio de livros e tenho a leve impressão de que, pelo menos um, muda toda vez que retorno lá.
- Uma vampira? É a primeira vez.
- Admite, doutor, ser uma vampira é muito melhor do que a última vez que eu te falei que estava montada no nyah cat – bufei.
- Ok, ok... – tornou a escrever algo, que até hoje não sei o que é que ele tanto escreve naquele bloquinho cinza com o meu nome – estamos quase acabando esta sessão.
- Ufa – agora eu desamassava minha camiseta do Queen, alisando a parte da frente sem me levantar.
- Tábata.
- Hum?
 Ele retirou os óculos e se ajeitou na poltrona.
- Sua mãe já conversou com você sobre a minha proposta?
- ... Não? – nunca consegui me fazer por desentendida.
- Seria importante para a sua reabilitação, você deve entrar em contato com outra pessoas... outros jovens.
- Mas... Já tentei uma vez – choraminguei.
 Ele me lançou aquele olhar terno, como fazia sempre.
- Você tinha dez anos, além do mais, não pode viver trancada para sempre.
 Fiquei um tempo olhando para seu rosto, refletindo sobre isso, mas acho que demorei demais, porque logo ele me perguntou:
- Está em outro sonho?
 Balancei negativamente a cabeça.
- Não... É que, não tenho muitas boas histórias sobre a vez que fui para a escola. Além do mais, como posso ir pra lá se eu ainda sou maluca?!
- Você não é maluca – falou limpando os óculos, agora era a milionésima vez que ele me dizia isso – o que você têm é inofensivo para os outros, então nada te impede de retornar a escola, e você parece estar respondendo bem ao tratamento-
- INOFENSIVO?! – agora eu elevei o tom da minha voz e estava sentada, não mais deitada – eu sou atormenta por essa coisa, até mesmo agora e não, o pior, não tem solução pra isso, e sim, Edgar, eu sou MALUCA!
 Já estava estressada com isso.
- Já lhe disse que isso leva tempo, falei desde o começo-
- Só não disse que ia durar dois anos... – bufei me afundando nas almofadas cinzas e mesclando com um leve suspiro.
- Mas você deve ser perseverante – ele ignorou meu comentário – e isso pode ser um bom começo para que você consiga ter uma vida, digamos, normal e com relações normais.
 Sim, ela usou um tom diferente na palavra normal, porque, segundo Edgar, a normalidade é algo sem fundamento uma vez que não podemos definir o que é normalidade nesse mundo onde todos somos diferentes. Sempre gostei dessa linha de pensamento.
- Aqui eu acho... – ele fez um movimento com as mãos que seguravam seus óculos e se pôs de pé, fuçando nas gavetas de sua escrivaninha – eu acho que tenho o panfleto da escola que eu gostaria que desse uma olhada.
 Suspirei mais uma vez. Enquanto ele procurava o planfeto, Elliot me encarou com um sorriso.
- Ahhh ahhh isso está demorando muito!
 Fiz que sim com a cabeça.
 Elliot é meu amigo imaginário. Possuí cabelos verdes curtos, olhos pretos e está sempre vestido com um casaco preto meio aberto e camiseta branca de abotoar, calça preta até os joelhos, boina e sapatos marrons (acho que o imaginei após ver as imagens daquelas crianças que trabalhavam na década de oitenta... vi a imagem de uma delas em um trem), tem a estatura e se assemelha a uma criança. É o único que consegue manter uma conversa de longa duração comigo.
 Mas não poderia responder para ele, ou o doutor iria ouvir e eu já disse para ele que me havia “livrado” de Elliot, o que não é bem verdade... Qual é! Ele é o único com quem converso. Até porque, as crianças de verdade sempre me evitaram, aparentemente, eles começam a te chamar de maluca quando você fala sozinha ou com alguém que não está ali... Ou começa a ficar com medo de um dragão de que só existe para você.
- Ne NE, quando sairmos vamos mesmo jogar muito! Até de noite!
 Eu gosto de jogos de videogame, uma das poucas coisas que prendem minha atenção também.
- Achei! Aqui!
 Peguei com ambas as mãos o papel que Edgar me entregara. A escola era grande e antiga, estranha. Abri uma das folhas e passei a ver os clubes na escola.
 Suspirei de novo. Mais uma vez uma escola cara e de classe, do tipo que meus irmãos frequentam... e do tipo onde os outros iriam me olhar torto de novo.
 Meus irmãos sempre disseram que tenho sorte por ter nascido esquisita no nosso tipo de família, com uma condição melhor, mas não queria ir para lá. Como já disse, não tenho experiências muito boas com escolas.
- Ehh... Edgar...
- Hum?
- Você tem um planfeto de escola municipal?
 Bem, se for para ir para a escola... que seja uma onde as pessoas não me olhem de cima.
 Legal, agora Edgar me encarava com um olhar assombrado e Elliot sorria de maneira travessa.

Sweet Dreams Cap. 1

Posted by : •°o.O Misa O.o°•
sexta-feira, julho 26, 2013
10 Comments
Primeira fic do blog é da Juliana :D Estarei postando por ela por isso nada de confusões, está bem? Aqui fica a sinopse e daqui a bocado posto o primeiro capítulo.

Gênero:
Romance, Aventura e Drama

Indicação:
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Sinopse:
 Tábata é uma garota de dezesseis anos e possuí sonhos lúcidos (ou aquilo que chamam de argumento do sonho), e, assim, tem certa dificuldade de diferenciar o real do imaginário. A mesma não sabe o que a levou a ser assim. Graças a isso, parou de frequentar a escola aos dez anos, passando a ter aulas particulares.
 Entretanto, aparentemente, para continuar com sua reabilitação é importante que ela comece a ter mais "contato social". Agora, a garota ira começar uma nova escola.
"Eu, que sempre gostei do sonho, tento entender diariamente o que é a vida real"
Clarissa Corrêa

Sweet Dreams (Sinopse)

Posted by : •°o.O Misa O.o°• 4 Comments

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